11/10/2019

uma coruja chamada Francisco



(histórias com raiz e com alma)
(inspiradas em casos clínicos)



"Durante os dias, semanas e meses seguintes, os animais recordaram inúmeras 
histórias sobre a Raposa.
Os seus pesados corações começaram a ficar mais leves.
Quanto mais a recordavam, mais a árvore crescia, cada vez mais alta e cada vez mais bonita, 
até se  tornar na mais alta da floresta. 
Uma árvore feita de recordações e cheia de amor."
Britta Teckentrup, A Árvore das Recordações


O inverno tinha chegado. Tinha vindo para ficar. Acompanhado pelas brumas com as quais o passado se adorna e pelos tons que o cinzento gosta de ter. E tudo gelou. E tudo parou. E tudo se perpetuou no tempo. Maria tem 75 anos. A expressão delicada e emaranhada de um floco de neve. O cabelo vestido de branco, bordado com o fio de prata que um dia a lua emprestou. A companhia de uma coruja. Branca e sensata. Guardiã de memórias e de histórias por contar. O inverno tinha vindo para ficar e as gotinhas salgadas que tinham insistido em percorrer o rosto de Maria, tinham gelado. Parado, tinham se perpetuado no tempo. Suspiros suspensos no ar arrefecido da madrugada.
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03/10/2019

a amora silvestre


(histórias com raiz e com alma)
(inspiradas em casos clínicos)


(...) uma pessoa em contacto com Artemis/Diana torna-se uma parte, 
não consciente de si, da natureza, integrando-se nela e 
formando uma só com ela nessas momentos.”
J. Shinoda Bolen, As Deusas em cada Mulher


Diana era comparável a uma amora silvestre. Para alguns, brava demais. Para outros, delicada demais. Mulher menina. Maria-rapaz. Descalça. Cabelo ao vento, joelhos esfolados. Pertencendo à terra rochosa e ao elemento ar, aquilo que mais ambicionava era ganhar asas, e aquilo que mais receava eram, afinal, as asas que já eram suas. Tinha 39 anos. Tinha voado mais alto do que lhe tinha sido permitido. Tinha-se reconstruído mais vezes do que acreditava ser possível. Tinha voado também para longe. Mas a memória do corpo era como um clip na asa e Diana era pássaro e era amarra.
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27/09/2019

as sombras da floresta


(histórias com raiz e com alma)
(inspiradas em casos clínicos)


'Second to the right', said Peter , 'and then straight on til morning.'
J.M. Barrie, Peter Pan



O Pedro cresceu. Tem agora 21 anos. Hoje ninguém o conhece como Peter Pan. Com o nome perdeu também a bússola. Sentia-se mais perdido do que nunca. Pois, a Terra do Nunca tinha ficado muito para trás, longínqua e distante. Vaga memória. O Pedro estava perdido. Numa floresta. Sombria. O único mapa que tinha consigo tinha-lhe sido dado pelo pai fazia já muito tempo. Experimentava usá-lo. Mas cada caminho que o mapa lhe indicava e cada recanto que encontrava, escondido, estava coberto, não só de musgo, mas também de sombras. Percebia agora que o mapa fora desenhado para encontrar, unicamente, sombras. Sombras de si, sombras da floresta. Sombras que lhe diziam sempre a mesma coisa: “És uma desilusão”. E de cada vez que o eco das sombras ressoava, o Pedro sentia-se, mais e mais, perdido. Mais perdido, mais inútil e mais incapaz. As sombras invadiam-lhe o coração. O amor que alguma vez tinha sentido por si ia-se desvanecendo. Na penumbra da floresta.

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16/09/2019

ciclos da vida, ciclos da natureza


(psicoterapia pela nossa natureza)

"No ciclo eterno das mudáveis coisas
Novo inverno após novo outono volve
À diferente terra
Com a mesma maneira."
Ricardo Reis



O que são os Ciclos da Vida, Ciclos da Natureza?

São sessões que aliam o desenvolvimento pessoal à expansão para além de nós, através do encontro com o outro, com a comunidade, com todos os seres vivos e com o ecossistema. Vivemos assim um ciclo completo em direção a um mundo renovado. Um ciclo que é composto por 8 sessões e que decorre ao longo de 2 meses. Cada grupo integra 4 participantes.

A Ecopsicologia como paisagem de fundo

A cura individual, a cura interpessoal e a cura do ecossistema são uma e uma só, são indissociáveis e interdependentes.


Os fundamentos

Promove e desenvolve a saúde mental, o tecido comunitário e a consciência ecológica, contribuindo para uma vida sustentável e sustentada, dotada de sentido e integrada na ação. Uma ação dirigida à preservação do planeta e à construção de uma teia humana tecida no respeito mútuo, na empatia e na compaixão.


As sessões

Sessão 1. Ar e Água – INICIAR

Sessão 2. Terra e Fogo – ENRAIZAR

Sessão 3. Malmequer – SENTIR

Sessão 4. Borboleta – PREPARAR

Sessão 5. Esperança – DESPERTAR

Sessão 6. Abundância – GERMINAR

Sessão 7. Imaginação – BRINCAR

Sessão 8. Futuro – AVANÇAR


O lugar

Em Braga. No Histórias de Raiz. 
Praça do Município, nº68, 1º andar

A forma

Frequência semanal
2 ½  horas por sessão
8 sessões por cada ciclo
4 pessoas por grupo
Indoors e outdoors
Poderão ser disponibilizadas sessões individuais, caso necessário e no sentido de contribuir à integração de aspetos vivenciados durante o ciclo


Horários

A divulgar em breve.

Mais informações e inscrições

historiasderaiz@gmail.com
(+351) 963 024 423 (Ana Sevinate)




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