10/05/2019

ecopsicologia: quando somos para além de nós


(palavras e imagens) (parcerias da natureza)



Um artigo publicado na RaízesMag.
(RaízesMag. Nº5 - Desenvolvimento Sustentável)

À Leila, por nos ajudar a acreditar que somos mais e que somos muitos.


“Tenho cinco anos fresquinhos. Pelo menos é a palavra que a minha avó usa quando acaba de tirar os biscoitos quentes do forno. Nunca percebi muito bem. Contradições de gente crescida, mas adiante. Os meus olhos são janelas de vidraça pelas quais espreito um admirável mundo novo. Nele me descubro. As conchinhas da praia fazem-me cócegas nos pés e põem o meu coração a rir. O vento no cabelo conta-me segredos de outros tempos e leva-me lágrimas para oferecer ao mar. As pinhas têm o mesmo cheirinho das histórias contadas à lareira e o vermelho das joaninhas é tão intenso que me faz corar.
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26/04/2019

as pintas da joaninha


(palavras) (dádivas da natureza)


Quantas pintas tem a joaninha? Uma, duas, três. Um dom por cada pinta. Um, dois, três. Por isso confia. Nas suas pintas. Por isso acredita. Que não são suas. Foram-lhe oferecidas. Presente, dádiva e honra. Uma, duas, três.

É seu o dever de os transportar. Aos seus dons. É seu o direito de os reconhecer. Aos seus dons. É sua a responsabilidade de os fazer voar. Aos seus dons. Está grata a joaninha. Um, dois, três. Porque está grata, reconhece. Porque reconhece borda-os no casaco. São pedras preciosas. Numa pregadeira Arte-Nova. As suas pintas. Uma, duas, três. Porque borda-as no casaco, o céu fica mais brilhante.

É preciso revelá-los. A partir dos negativos. Aos dons. Prece, fé, devoção. Um, dois, três. São suficientes, acredita. São especiais, confia. Presente da vida. Dádiva das estrelas, honra da Terra. Usá-los no casaco é homenagem. Voar com eles é mérito. Um, dois, três. Não falta nenhuma pinta. Estão todas. Uma, duas, três.


por Ana Sevinate


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22/03/2019

a pele da serpente




(palavras) (natureza sábia)


à Ana I., aos círculos e à esperança dos tempos


Quando a serpente muda de pele, os ecos ressoam mais alto. Tudo se sente, mais. Por tudo se ansia, mais. Quando a serpente muda de pele, as cores gritam mais alto. Tudo se revela. Mais. Tudo magoa. Mais.
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01/03/2019

o mundo numa vagem


(sentires) (natureza exemplar)



“Então ficaram com a certeza de terem encontrado uma princesa verdadeira,
pois ela tinha sentido a ervilha através de vinte edredões e vinte colchões.
Só uma princesa verdadeira podia ser tão sensível.”

Hans Christian Andersen
In A Princesa e a Ervilha



Se o mundo fosse uma vagem seríamos bolinhas aninhadas numa mesma casca. Semelhantes, mas nunca iguais. Germinadas pelo impulso uns dos outros. Verdes de esperança e repletos daquilo que nos nutre. Parceiros.

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15/02/2019

a abelha rainha


(palavras) (natureza com amor)


“No meu fim está o meu principio. “
Mary, Queen of Scots


Adorna-se com um manto de riscas ténues. Ergue-se em trono de favo, onde permanece quase imóvel. Tem tempo. Tempo real. Quase imortal. Absolutamente intocável. Em geleia. Conserva-se em densidade âmbar e transparente. Tornando possível o movimento compassado. Incontestável. Ganho em cada gesto. Ganho em cada zumbido. Refletido. 
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08/02/2019

a cor da água


(sentires)

"Aqui sou eu em tudo quanto amei."
Sophia de Mello Breyner Andreson


Quando a cor suspira, a água cora. Mergulho. Imersão. Alga, que é seca agora, lembra-se outra vez de quem foi. Funde-se, embebe-se. Infusão, bebida mágica. Antes envelhecida, regressa. A água devolve-lhe a vida. Em troca das suas memórias, que agora é das duas. Da alga, da água. O espírito é agora das duas.
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25/01/2019

as asas da borboleta


(palavras)

"Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender."
                                                                                                                                     Fernando Pessoa


O arco-íris em forma de círculo. Amplo, claro, aberto. Abre e fecha. Flic-flac. Tic-tac. Na hora do voo. Beleza volátil, força alada. Liberdade irrequieta. Dança de luz. Arrebatamento. Tanto, que às vezes prende.
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